18/06/2009


Começo hoje a história de um sonho.
Não é cor-de-rosa, mas sim, azul, verde e amarelo.
É a história de uma viagem pelo oceano, por cima das nuvens até chagar ao Tom Jobim.
É sonho sim, de mil sabores, e de mil sons que balançam já no ouvido virgem dos ritmos por ouvir.
É o sonho da água de beber misturada em limas e açúcar.
É o sonho da vista panorâmica sobre a cidade maravilhosa e do banho de mar em Ipanema.
Ai quanto tempo sonhei e ainda sonho com este sonho...
É o sonho do churrasco, do pagode, ao forró, passando pelo sertanejo, pelo samba...
Ai samba que te quero lento e bem cantado tocado à pele morena, queimada pelo sol.
Sonho sonhado em outras praias, em outros voos, em outras andanças. Sonho dos pés mexidos no ritmo, dos lapsos de língua.
Outrora sonho de outros Verões.
Agora é sonho do meu.


17/06/2009

quero um dia ser mãe
gerar do corpo, da alma
quero um dia ser mãe de alguém
entregar amor, sem perguntar
quero um dia ser mãe, sim quero muito
ter a vida guardada entre os braços e o peito
quero um dia ser mãe como tu
ser bárbara, mãe e filha
quero reproduzir-te mãe
gostava de ser uma mãe como tu


vejo a tua dor nos olhos cansados do medo
não tenhas medo mãe, eu estou aqui
nunca te deixarei sozinha
queria-te imortal
amo-te

14/06/2009

09/06/2009

07/06/2009


mais melódica que harmónica
não sei ser várias frequências em simultâneo

latejo o som dos meu
s sentidos, um de cada vez
linear e coerente, poderei ser ponto de partida para improvisação

mas sou em versos e depois sempre sou refrão
apoio-me em ritmos para não perder critério
sou voz cantada, dita e sentida no timbre

por vezes silêncios
por vezes piano ou forte

umas vezes vida

mas uma só morte

05/06/2009

se serei


E se cantássemos tudo outra vez, as vergonhas dos primeiros encontros tímidos (e como estão esquecidos), e se contássemos todos os sussuros que dissemos ao ouvido, e nos deitássemos outra vez na cama outrora quente...?
E se, se voltássemos atrás no futuro, e o tic-tac ao fundo ficasse mudo? Para sempre.
E se começássemos de novo, novamente, ao que já fomos. Eu sei, se assim fosse não seríamos... Mas e se nos esquecessemos de tudo?
Se eu quisesse, mas não quero.
Tenho uma sede imensa de ser imensa e de ser eu.
Mas, e se nos perdessemos entre as mãos e entre os sorrisos só mais uma vez?
Não.

Vou reinventar-me sem ti.
Serei devaneio de mim, só meu.
Serei o branco e as cores a misturar.
Serei silêncio e os gritos para berrar.
Serei espaço e imensidão para o ocupar.
Serei liberdade e livre para sonhar.

Serei o que não fosse e o que não seria.
Serei o que, presa a ti, eu não queria.


Serei mais ser.