Eu gostava de me sentar naquele banquinho ao fundo do jardim e pegar na tua mão, e contar-te a minha vida. Contar-te como cresci, como sou agora e como gostaria de ser. E por um momento não dissesses nada, nem uma palavra. Só que sorrisses quando eu o fizesse e me abraçasses quando eu chorasse. Depois que me deitasses na relva daquele jardim já desparecendo no lusco-fusco e me desses a mão, e ali deitados que me ensinasses o melhor que alguma vez aprendeste. E com um abraço profundo eu adormessesse em ti e tu em mim. E no nascer do dia me sufocasses na tua respiração e nos teus braços. E sem um adeus, fosses embora, anónimo, da mesma maneira que chegaste.
28/12/2006
21/12/2006

(Sentou-se no chão da casa vazia. Pegou no cobertor pesado e cobriu as costas. Acendeu um cigarro. Respirou fundo. Cantarolou uma música. Uma lágrima. Uma hora. Trinta lágrimas. Cinco cigarros. O silêncio. A luz da vela no chão. Imaginou retratos, fez analogias, criou espaços, reviveu sentimentos. Três horas. Limpou o sal das lágrimas já secas na bochechas. Apagou a vela. Deitou-se sobre o chão frio. Sorriu. Adormeçeu. Não acordou. Adeus.)
20/12/2006
Às vezes olho-me no espelho e choro. Outras vezes olho para outras pessoas e choro. Outras vezes olho para uma árvore e choro. Outras vezes sinto o sol ou deleito-me à chuva e choro. Outras vezes ainda, penso e choro. Outras vezes cheiro uma flor e choro. Outras vezes respiro e choro. Ainda noutras vezes sinto-te e choro.
Sou triste porque sinto o mundo de uma maneira diferente.. não deveria ser feliz?
Sou sensível e não gosto. E choro porque sou sensível.
Olho para o papel e choro. Choro porque as palavras são redutoras, são estúpidas. São meras combinações de desenhos e sons e gesticulações que tentam tornar universal um sentimento, uma vontade, uma emoção, uma pensamento, uma busca. Mas como é q eu posso dizer q estou triste, se se calhar esta palavra não combina com o que estou realmente a sentir? Se calhar nem triste tou... E através de certos sintomas reduzo todo o meu tumulto interno à palavra 'triste'.
Mas não é bem isso que eu quero dizer. Não é bem 'triste' que eu me sinto.
Pronto.. vou acabar com isto que não me leva a lado nenhum.
Posto isto só posso dizer que sinto e pronto!
Sinto muito sentir muito!
Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. E choro.
Sou triste porque sinto o mundo de uma maneira diferente.. não deveria ser feliz?
Sou sensível e não gosto. E choro porque sou sensível.
Olho para o papel e choro. Choro porque as palavras são redutoras, são estúpidas. São meras combinações de desenhos e sons e gesticulações que tentam tornar universal um sentimento, uma vontade, uma emoção, uma pensamento, uma busca. Mas como é q eu posso dizer q estou triste, se se calhar esta palavra não combina com o que estou realmente a sentir? Se calhar nem triste tou... E através de certos sintomas reduzo todo o meu tumulto interno à palavra 'triste'.
Mas não é bem isso que eu quero dizer. Não é bem 'triste' que eu me sinto.
Pronto.. vou acabar com isto que não me leva a lado nenhum.
Posto isto só posso dizer que sinto e pronto!
Sinto muito sentir muito!
Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. E choro.
de que vale querer tanto?
de que vale esperar?
de que vale a felicidade se ela acaba sempre em saudade?
porque nada é eterno?
porque temos sempre que sentir, pensar e viver com a efemeridade da vida?
porque que pensamos em passado, presente e futuro, se tudo não passa de uma ilusão do tempo?
o passado já passou. o presente esta sempre a transformar-se em passado. o futuro não é nada, são concepções.
e nós somos o quê dentro da velocidade do mundo?
nada. absolutamente nada.
somos um devaneio de nós próprios.
de que vale esperar?
de que vale a felicidade se ela acaba sempre em saudade?
porque nada é eterno?
porque temos sempre que sentir, pensar e viver com a efemeridade da vida?
porque que pensamos em passado, presente e futuro, se tudo não passa de uma ilusão do tempo?
o passado já passou. o presente esta sempre a transformar-se em passado. o futuro não é nada, são concepções.
e nós somos o quê dentro da velocidade do mundo?
nada. absolutamente nada.
somos um devaneio de nós próprios.
29/11/2006
(devaneio intercalar de academismos)
Quase tudo o q me dizes é em silêncio. E eu percebo tudo!
Nunca ouvi a tua voz, e não sinto falta nem vontade de a ouvir. Porque sei que só te entendo olhando nos teus olhos.
Mas os teus olhos estão longe. E, perdidos na minha imaginação, vou voando e voando à sua procura. Às vezes acho que os encontrei e penso que finalmente te vou perceber. Mas não. É tudo mentira. É tudo ilusão.
E nesses teus olhos sei que um dia poderei encontrar a plenitude, a perfeição; poderei olhar para o céu e para a terra ao mesmo tempo; poderei estar em dois sítios em simultâneo; poderei viver duas vidas numa só. A minha e a tua!
Como é q te chamas? Não sei. Nunca me disseste.
Onde é q estás? Não sei. Nunca te encontrei.
Quem és tu? Não sei. Talvez um dia encontrarei os teus olhos, a tua vida seja a minha, e tu sejas eu.
27/11/2006
serralves
Quase tudo o q me dizes é em silêncio. E eu percebo tudo!
Nunca ouvi a tua voz, e não sinto falta nem vontade de a ouvir. Porque sei que só te entendo olhando nos teus olhos.
Mas os teus olhos estão longe. E, perdidos na minha imaginação, vou voando e voando à sua procura. Às vezes acho que os encontrei e penso que finalmente te vou perceber. Mas não. É tudo mentira. É tudo ilusão.
E nesses teus olhos sei que um dia poderei encontrar a plenitude, a perfeição; poderei olhar para o céu e para a terra ao mesmo tempo; poderei estar em dois sítios em simultâneo; poderei viver duas vidas numa só. A minha e a tua!
Como é q te chamas? Não sei. Nunca me disseste.
Onde é q estás? Não sei. Nunca te encontrei.
Quem és tu? Não sei. Talvez um dia encontrarei os teus olhos, a tua vida seja a minha, e tu sejas eu.
27/11/2006
serralves
27/11/2006
"THE PARADOX OF OUR AGE:
We have bigger houses but smaller families; more conveniences, but less time; more knowledge, but less judgement; more experts, but more problems; more medicines, but less healthiness; We've been all the way to the moon and back, but have trouble crossing the street to meet the new neighbor. We build more computers to hold more information to produce more copies than ever, but have less communication; We have become long on quantity, but short on quality. These are times of fast foods but slow digestion; Tall man but short character; Steep profits but shallow relationships. It's a time when there is much in the window, but nothing in the room."
His Holiness the 14th Dalai Lama
We have bigger houses but smaller families; more conveniences, but less time; more knowledge, but less judgement; more experts, but more problems; more medicines, but less healthiness; We've been all the way to the moon and back, but have trouble crossing the street to meet the new neighbor. We build more computers to hold more information to produce more copies than ever, but have less communication; We have become long on quantity, but short on quality. These are times of fast foods but slow digestion; Tall man but short character; Steep profits but shallow relationships. It's a time when there is much in the window, but nothing in the room."
His Holiness the 14th Dalai Lama
16/11/2006
10/11/2006
09/11/2006
05/11/2006
associação livre
nascer
cor
sorriso
medo
só
multidão
noite
incenso
areia
magia
ambar
dançar
ar
branco
eu
traição
completar
fogo
olhos fechados
poesia
oxigénio
chuva
tranquilidade
intimidade/intimista/intimo
conversar
ver
apaixonar
fotografias
sim
baunilha
ele
luz
sândalo
distância
púrpura
chorar
deslcaça
cair
terra
coragem
prazer
olá
cheirar
crescer
dor
morango
pai
crianças
oriente
jardim
primavera
nadar
flores
passarinhos
amanhã
tilintar
possuir
Frida Kahlo
jornal
desmaiar
pôr-do-sol
velho
ciúme
prosa
segredo
adeus
romantismo
mundo
desenhar
saudade
cumplicidade
mãe
google
vento
paisagem
musica
abraço
mapa
áfrica
teatro
XVII
ontem
pessoas desconhecidas
mar
tocar
água
dia
chocolate
beijo
não
correr
hoje
flauta
brincar
dar e receber
frio
pensar
chá
tradição
mãos
respirar
conhecer
ouvir
amor
ler
observar
gritar
saborear
morrer
renascer
...
nascer
cor
sorriso
medo
só
multidão
noite
incenso
areia
magia
ambar
dançar
ar
branco
eu
traição
completar
fogo
olhos fechados
poesia
oxigénio
chuva
tranquilidade
intimidade/intimista/intimo
conversar
ver
apaixonar
fotografias
sim
baunilha
ele
luz
sândalo
distância
púrpura
chorar
deslcaça
cair
terra
coragem
prazer
olá
cheirar
crescer
dor
morango
pai
crianças
oriente
jardim
primavera
nadar
flores
passarinhos
amanhã
tilintar
possuir
Frida Kahlo
jornal
desmaiar
pôr-do-sol
velho
ciúme
prosa
segredo
adeus
romantismo
mundo
desenhar
saudade
cumplicidade
mãe
vento
paisagem
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áfrica
teatro
XVII
ontem
pessoas desconhecidas
mar
tocar
água
dia
chocolate
beijo
não
correr
hoje
flauta
brincar
dar e receber
frio
pensar
chá
tradição
mãos
respirar
conhecer
ouvir
amor
ler
observar
gritar
saborear
morrer
renascer
...
15/10/2006
13/10/2006
Era fim do dia, e da janela do meu quarto, aquela luz cor-de-laranja, entrava sem pedir autorização, por mim, ela era muito bem-vinda, podia até nunca se ir embora. Sinceramente é uma das únicas recordações que tenho da minha infância. Aquela luz, que tanto amava, e amo, dava uma nova vida ao meu quarto. As paredes já não eram brancas, mas sim laranja e o resto do quarto ficava camuflado com uma nova cor.
Naquele tempo, a minha vida era puramente perfeita. Na minha cabeça não havia maldade, ganância, poder, dinheiro, era tudo tão natural como o desabrochar de uma flor ou até como o pôr-do-sol. Hoje já não é bem assim, tudo me parece manipulado por todas as coisas que, enquanto criança, nao existiam. O que eu dava para voltar a estar sentada no parapeito daquela janela a respirar aquela luz que parecia falar comigo, como se o pôr-do-sol demorasse horas em vez de apenas um instante.
algures no ano de 2004 ou 2005
12/10/2006
(Este é o meu primeiro poema. Eu tinha 6 ou 7 anos e foi escrito algures no ano de 1996, eu andava no 2º ano! Chama-se "A Sementinha")
Vim de uma sementinha,
Sou árvore do teu quintal,
Para ser saudável,
Não me podes fazer mal.
Tenho folhas para respirar,
Flores para dar fruto,
Fruto para me reproduzir,
E apenas o meu caule para não cair.
Sou árvore do teu quintal,
Para ser saudável,
Não me podes fazer mal.
Tenho folhas para respirar,
Flores para dar fruto,
Fruto para me reproduzir,
E apenas o meu caule para não cair.
O mundo no meu bolso
Na bata da escola havia um bolso.
Era lá onde eu guardava tudo. Era uma espécie de registo, de diário. Tudo o que fazia, o que comia, onde brincava..., no meu bolso havia um vestígio de cada dia.
Ao fim do dia quando chegava a casa, a minha mãe sacudia os bolsos e punha a bata para lavar. Eu todos os dias via o meu mundo sair pela janela. A areia na qual tinha brincado, a embalagem de uma pastilha elástica para a qual tinha guardado religiosamente dinheiro, um pedaço de apara de um lápis que a professora não me deixou ir afiar, e assim um dia se apagava numa simples sacudidela.
Eu olhava para o meu bolso e via o meu mundo. Tudo aquilo que uma criança tinha conquistado. Tudo aquilo que fazia uma criança feliz.
21/04/2004
Na bata da escola havia um bolso.
Era lá onde eu guardava tudo. Era uma espécie de registo, de diário. Tudo o que fazia, o que comia, onde brincava..., no meu bolso havia um vestígio de cada dia.
Ao fim do dia quando chegava a casa, a minha mãe sacudia os bolsos e punha a bata para lavar. Eu todos os dias via o meu mundo sair pela janela. A areia na qual tinha brincado, a embalagem de uma pastilha elástica para a qual tinha guardado religiosamente dinheiro, um pedaço de apara de um lápis que a professora não me deixou ir afiar, e assim um dia se apagava numa simples sacudidela.
Eu olhava para o meu bolso e via o meu mundo. Tudo aquilo que uma criança tinha conquistado. Tudo aquilo que fazia uma criança feliz.
21/04/2004
08/10/2006

Viajo no país das alegrias e das tristezas, olho-o pela janela, a minha saudade arrasta-se pelos carris do meu caminho. Pela janela rectangular vejo um mundo cinzento e soturno, vejo um mundo em movimento onde passado, presente e futuro se confundem no tempo. Onde estás tu nesta vitrine de imagens? Quero parar! Paras comigo?
Neste país de partidas e chegadas, parto de um sítio e chego a outro. Dói quando já parti e ainda não cheguei. Dói quado cheguei e tenho que partir. Pára país de saudade! Pára tempo! Pára vida! Deixa-me parar!
06/10/2006
Neste país de partidas e chegadas, parto de um sítio e chego a outro. Dói quando já parti e ainda não cheguei. Dói quado cheguei e tenho que partir. Pára país de saudade! Pára tempo! Pára vida! Deixa-me parar!
06/10/2006
01/10/2006
"...e com uma paixão pretensiosa, tal como o desejo surge entre pessoas de uma forma inconsciente e desfigurada, quando alguém, pela primeira vez, quer separar do mundo o corpo e a alma de outra pessoa, para a possuir de uma maneira exclusiva. É esse o sentido do amor e da amizade. A amizade deles era tão séria e silenciosa, como todos os grandes sentimentos que duram uma vida inteira. E tal como todos os grandes sentimentos, continha também um certo pudor e sentimento de culpa. Uma pessoa não pode apropriar-se impunemente de outra, separando-a das restantes."
Sándor Márai
em "As velas ardem até ao fim"
Sándor Márai
em "As velas ardem até ao fim"
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