24/04/2010


Sento-me sob o embalo da escolha.
Um beijo no dado atirado no vazio.
Daquele lado a apego.
Do outro o coração.
Circulam as noites em cima dos dias e os minutos são duros, mais que as horas.
Sou as esperas inúteis da notícia.
O pecado foi pecar logo e tanto. Isso sim.

E olho o muro cá de baixo.
Decido sentar-me e olhar a paisagem.
Escolhi vislumbrar, apenas.
Daquele lado o prado, a criança, a verdade.
Do outro a mensagem triste de que mais vale saltar. E logo.
Sou os olhos fechados de um passo.

Serei só atenta e sozinha de ti.
Lambo o dedo e num suspiro deixo-me cair para o lado que o vento me levar.



04/04/2010

Sou a canção perdida num grito,
Que morde a tua língua numa inglória saudade.
E escuto-te atenta como se falasses essas palavras todas para mim.
Fugi demais e encontrei-me atrasada das horas mortas.
A minha miséria vem da pequenez dos meus gestos
E de um amor por descrever.
Por querer.
Por te querer.
E enquanto apanhas aquele comboio para algures,
Esquece que fiquei acenando,
Esquece da lágrima que chorei quando me brindaste com o teu desprezo.
Até logo homem inquieto.