22/06/2008

coitados daqueles que não sentem o que gostavam de sentir.
coitados daqueles que sentem aquilo que não gostavam de sentir.
coitados daqueles que não sentem nada.
coitados daqueles que sentem tudo.
coitados daqueles que precisam fingir que sentem e daqueles que fingem que não sentem.
e sortudos daqueles sentem apenas pelo prazer de sentir.

19/06/2008


Existe um jardim na minha cidade muito bonito, lá só entra quem quer, e quem não entrou não sabe o que perde. No meio desse jardim, que eu gosto de dizer que é das melhores coisas que temos, há uma casinha de chá, escondida, pequena e convidativa. Esse lugar leva-me, por vezes, a reflexões interessantes.
Como é que há, um cantinho escondido, no meio da cidade barulhenta, cinzenta e mal cheirosa, onde é possível ouvir os passarinhos, fechar os olhos, respirar fundo e inspirar ar puro.
Lá sento-me numa cadeira de verga e olho as pessoas passar, poucas é certo, mas as suficientes. Sentir que por momentos mudei de cidade, mudei de país, mudei de problemas, mudei de rotina... e depois expirar.
Relaxo.
Porque sim, é possível!

17/06/2008



é bonito não é?

15/06/2008


pode ser que um dia viva livre no meu amor

amo-te

Construo o meu ser na mistura da cor e da forma, no vazio da tela.
Faço a minha arte porque ela me resgata e me permite a expressão.
Busco o absoluto e encontro o nada, a dúvida.
Mas aí está a beleza da vida.
A eterna busca pela expressão dos sentimentos, dos momentos...
A eterna luta com o abstracto e, em simultâneo, a consciência do mesmo!

28/12/2006

Eu gostava de me sentar naquele banquinho ao fundo do jardim e pegar na tua mão, e contar-te a minha vida. Contar-te como cresci, como sou agora e como gostaria de ser. E por um momento não dissesses nada, nem uma palavra. Só que sorrisses quando eu o fizesse e me abraçasses quando eu chorasse. Depois que me deitasses na relva daquele jardim já desparecendo no lusco-fusco e me desses a mão, e ali deitados que me ensinasses o melhor que alguma vez aprendeste. E com um abraço profundo eu adormessesse em ti e tu em mim. E no nascer do dia me sufocasses na tua respiração e nos teus braços. E sem um adeus, fosses embora, anónimo, da mesma maneira que chegaste.

21/12/2006


(Sentou-se no chão da casa vazia. Pegou no cobertor pesado e cobriu as costas. Acendeu um cigarro. Respirou fundo. Cantarolou uma música. Uma lágrima. Uma hora. Trinta lágrimas. Cinco cigarros. O silêncio. A luz da vela no chão. Imaginou retratos, fez analogias, criou espaços, reviveu sentimentos. Três horas. Limpou o sal das lágrimas já secas na bochechas. Apagou a vela. Deitou-se sobre o chão frio. Sorriu. Adormeçeu. Não acordou. Adeus.)

20/12/2006

Às vezes olho-me no espelho e choro. Outras vezes olho para outras pessoas e choro. Outras vezes olho para uma árvore e choro. Outras vezes sinto o sol ou deleito-me à chuva e choro. Outras vezes ainda, penso e choro. Outras vezes cheiro uma flor e choro. Outras vezes respiro e choro. Ainda noutras vezes sinto-te e choro.
Sou triste porque sinto o mundo de uma maneira diferente.. não deveria ser feliz?
Sou sensível e não gosto. E choro porque sou sensível.

Olho para o papel e choro. Choro porque as palavras são redutoras, são estúpidas. São meras combinações de desenhos e sons e gesticulações que tentam tornar universal um sentimento, uma vontade, uma emoção, uma pensamento, uma busca. Mas como é q eu posso dizer q estou triste, se se calhar esta palavra não combina com o que estou realmente a sentir? Se calhar nem triste tou... E através de certos sintomas reduzo todo o meu tumulto interno à palavra 'triste'.
Mas não é bem isso que eu quero dizer. Não é bem 'triste' que eu me sinto.
Pronto.. vou acabar com isto que não me leva a lado nenhum.
Posto isto só posso dizer que sinto e pronto!
Sinto muito sentir muito!
Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto. E choro.
de que vale querer tanto?
de que vale esperar?
de que vale a felicidade se ela acaba sempre em saudade?
porque nada é eterno?
porque temos sempre que sentir, pensar e viver com a efemeridade da vida?
porque que pensamos em passado, presente e futuro, se tudo não passa de uma ilusão do tempo?
o passado já passou. o presente esta sempre a transformar-se em passado. o futuro não é nada, são concepções.
e nós somos o quê dentro da velocidade do mundo?
nada. absolutamente nada.
somos um devaneio de nós próprios.

29/11/2006

qual será a altura certa para mudar?
quando será essa altura?
demora muito?

é que eu não aguento mais!