quando te lembrares...
Muitas vezes pensamos em qual seria o pior sentimento que poderemos ter por alguém ou que alguém teve por nós. Há quem acredite que não existem bons ou maus sentimentos, simplesmente sentimos quer queiramos quer não, mesmo que achemos que somos muito racionais (já que somos o único animal que pensa, ou na minha opinião, que pensa que pensa) e que raramente tomamos decisões pelo chamado "lado emocional".
Engraçado que o sentimento que "escolhi" ou, num caso muito particular, que me magoou demasiado profundamente (daí a sua eleição), é fruto da razão, do pensamento, se não fossemos animais racionais, não teríamos essa particularidade, que ainda não sei se se deva chamar sentimento. Penso que o chamo sentimento pelos efeitos que produz. Talvez seja mais um automatismo da nossa mente, accionada sem a percepção de quem accionou. É um acto inconsciente.
Em conversa com as minhas amigas surgiram várias propostas.. Umas diziam que a pena é o pior sentimento do mundo, mas penso que a pena, apesar de ser "penoso" para quem é o objecto "penado", poderá despoletar bons actos, como a solidariedade ou a compaixão. A indiferença, também foi uma sugestão. Já outras diziam o desrespeito, neste ponto concordo parcialmente.. mas será o pior?
Infelizmente, certos acontecimentos recentes na minha vida mostraram-me uma nova perspectiva acerca do mal que se faz ao outro, dos sentimentos que geramos dentro de nós, dos sentimentos que os outros têm por nós.
Esquecer é o meu eleito. Não nos tornamos pequenos e tristes quando alguém se esquece de nós? Não somos invadidos por um sentimento de culpa quando nos esquecemos de alguém? Pois... mas o esquecimento pode surgir de várias formas. Por exemplo, quando esquecemos as chaves de casa, quando esquecemos de pôr sal no arroz, quando esquecemos de desligar o ferro de engomar ou quando esquecemos do bolo no forno e quando nos lembramos é tarde de mais, quando esquecemos que temos um trabalho para entregar no dia seguinte, quando esquecemos de levar guarda chuva e está um temporal enorme, quando esquecemos dos lenços e estamos com uma constipação infernal, quando nos esquecemos de tomar um comprimido que deve ser tomado religiosamente todos os dias, quando nos esquecemos de fechar o carro ou de puxar o travão de mão, quando nos esquecemos que os convidados não gostam de arroz de pato e eles acabaram de tocar à campainha...sei lá, podia ficar aqui a noite toda! Todas estas pequenas (grandes!) coisas que nos esquecemos provocam-nos um grande tumulto interno e perguntamo-nos "Que estúpida! como é que me esqueci??" ou "Como é que eu não me lembrei disso?"
Mas a vida também é feita de coisas mais profundas, de esquecimentos mais dolorosos tanto para quem esquece como para quem é esquecimo.. ora vejam:
E quando nos esquecemos do aniversário daquela amiga, que apesar de não estarmos juntas à algum tempo, está sempre presente e disponível ajudar nos piores momentos?
E quando nos esquecemos que alguém perdeu recentemente uma pessoa querida e lhe perguntamos com um enorme sorriso como está essa pessoa?
E quando nos partilhamos uma vida com uma pessoa, e num dia, ela se esquece de nós, e movido apenas por instintos (daí eu ter dito que o ser humano muitas vezes apenas pensa que pensa) quebra uma promessa?
Pois é!
Na minha opinião o grande problema do esquecimento é a quantidade de sensações que gera. Gera dor, culpa, mágoa, indiferença, desrespeito, solidão, revolta, angústia, etc.
Quem nunca se esqueceu que atire a primeira pedra, mas como disse há quem se esqueça das chaves, e há quem se esqueça da pessoa a quem disse pela primeira vez 'amo-te'.
Com isto, termino com duas das minhas grandes paixões - a música brasileira e a literatura.
Muitas vezes pensamos em qual seria o pior sentimento que poderemos ter por alguém ou que alguém teve por nós. Há quem acredite que não existem bons ou maus sentimentos, simplesmente sentimos quer queiramos quer não, mesmo que achemos que somos muito racionais (já que somos o único animal que pensa, ou na minha opinião, que pensa que pensa) e que raramente tomamos decisões pelo chamado "lado emocional".
Engraçado que o sentimento que "escolhi" ou, num caso muito particular, que me magoou demasiado profundamente (daí a sua eleição), é fruto da razão, do pensamento, se não fossemos animais racionais, não teríamos essa particularidade, que ainda não sei se se deva chamar sentimento. Penso que o chamo sentimento pelos efeitos que produz. Talvez seja mais um automatismo da nossa mente, accionada sem a percepção de quem accionou. É um acto inconsciente.
Em conversa com as minhas amigas surgiram várias propostas.. Umas diziam que a pena é o pior sentimento do mundo, mas penso que a pena, apesar de ser "penoso" para quem é o objecto "penado", poderá despoletar bons actos, como a solidariedade ou a compaixão. A indiferença, também foi uma sugestão. Já outras diziam o desrespeito, neste ponto concordo parcialmente.. mas será o pior?
Infelizmente, certos acontecimentos recentes na minha vida mostraram-me uma nova perspectiva acerca do mal que se faz ao outro, dos sentimentos que geramos dentro de nós, dos sentimentos que os outros têm por nós.
Esquecer é o meu eleito. Não nos tornamos pequenos e tristes quando alguém se esquece de nós? Não somos invadidos por um sentimento de culpa quando nos esquecemos de alguém? Pois... mas o esquecimento pode surgir de várias formas. Por exemplo, quando esquecemos as chaves de casa, quando esquecemos de pôr sal no arroz, quando esquecemos de desligar o ferro de engomar ou quando esquecemos do bolo no forno e quando nos lembramos é tarde de mais, quando esquecemos que temos um trabalho para entregar no dia seguinte, quando esquecemos de levar guarda chuva e está um temporal enorme, quando esquecemos dos lenços e estamos com uma constipação infernal, quando nos esquecemos de tomar um comprimido que deve ser tomado religiosamente todos os dias, quando nos esquecemos de fechar o carro ou de puxar o travão de mão, quando nos esquecemos que os convidados não gostam de arroz de pato e eles acabaram de tocar à campainha...sei lá, podia ficar aqui a noite toda! Todas estas pequenas (grandes!) coisas que nos esquecemos provocam-nos um grande tumulto interno e perguntamo-nos "Que estúpida! como é que me esqueci??" ou "Como é que eu não me lembrei disso?"
Mas a vida também é feita de coisas mais profundas, de esquecimentos mais dolorosos tanto para quem esquece como para quem é esquecimo.. ora vejam:
E quando nos esquecemos do aniversário daquela amiga, que apesar de não estarmos juntas à algum tempo, está sempre presente e disponível ajudar nos piores momentos?
E quando nos esquecemos que alguém perdeu recentemente uma pessoa querida e lhe perguntamos com um enorme sorriso como está essa pessoa?
E quando nos partilhamos uma vida com uma pessoa, e num dia, ela se esquece de nós, e movido apenas por instintos (daí eu ter dito que o ser humano muitas vezes apenas pensa que pensa) quebra uma promessa?
Pois é!
Na minha opinião o grande problema do esquecimento é a quantidade de sensações que gera. Gera dor, culpa, mágoa, indiferença, desrespeito, solidão, revolta, angústia, etc.
Quem nunca se esqueceu que atire a primeira pedra, mas como disse há quem se esqueça das chaves, e há quem se esqueça da pessoa a quem disse pela primeira vez 'amo-te'.
Com isto, termino com duas das minhas grandes paixões - a música brasileira e a literatura.
Lembrar é fácil pra quem tem memória, esquecer é dificil pra quem tem coração!
William Shakespeare
Caramba. É mesmo tramado o esquecimento. Admito que me esqueci da existência do teu blog (esquecimento gerado pela diminuição drástica e súbita do nosso relacionamento). Peço desculpa. Mas acontece, não é verdade? Gosto do novo look do blog. Está mais sereno, puro e bonito. Boa, Bárbara, fiquei nostálgico agora, ao olhar po "Blog Archive", ano 2006 e seu conteúdo.
ReplyDeletebeijo
("vemo-nos depois do pôr do sol", será que te lembras?)