
Lá e sempre,
O rio vai dar ao mar
E todo ele é maré, gente e canção.
O rio é de Janeiro, do ano inteiro
Dos dias e das demais medidas do tempo
Só não cabe nas palavras.
Saravá ao povo que se deixa posar, sem querer
Às grandes criações do poeta.
Saravá ao poeta.
O rio é mulher formosa
E a mão que enxuga a lágrima no rosto,
Mas é o sorriso que sai pelas ruas.
O rio só é homem quando se observa orgulhoso.
O rio é sempre foz,
Prestes a desaguar
A explodir, quem sabe.
E deixo os olhos pousar
E o corpo mergulhar nesse rio
Como se fosse para sempre o último abraçar.
O rio bebe-se aos poucos,
Gota a gota, pinga a pinga,
Mas bate rápido
É 100% alcoólico.
O rio é criança
Quando dança de pés descalços
Mas chora,
Órfão de pai.
Esse rio cheira a suor
A beijos misturados
Corpos incendiados
De alegria e desespero.
De ironia.
Os peixes desse rio não são peixes,
São polvos
Que nos agarram eternamente
E tingem os desejos de uma só cor.
O rio é longe,
E ficamos a vê-lo do pontão das objectivas.
Nunca é inteiro,
É afluente de si próprio.
O rio é cinza, poluído.
Verde, tijuca
Branco, vontade.
Amarelo, luz.
Azul, iemanjá.
Cor de pele, gente.
O rio é adúltero,
Corrompe-se,
Trai-se por gosto
E é eternamente pecado.
O rio é poesia,
E só o sei na canção.
O rio é sortudo,
Porque é maravilhoso por acaso.
O rio vai dar ao mar
E todo ele é maré, gente e canção.
O rio é de Janeiro, do ano inteiro
Dos dias e das demais medidas do tempo
Só não cabe nas palavras.
Saravá ao povo que se deixa posar, sem querer
Às grandes criações do poeta.
Saravá ao poeta.
O rio é mulher formosa
E a mão que enxuga a lágrima no rosto,
Mas é o sorriso que sai pelas ruas.
O rio só é homem quando se observa orgulhoso.
O rio é sempre foz,
Prestes a desaguar
A explodir, quem sabe.
E deixo os olhos pousar
E o corpo mergulhar nesse rio
Como se fosse para sempre o último abraçar.
O rio bebe-se aos poucos,
Gota a gota, pinga a pinga,
Mas bate rápido
É 100% alcoólico.
O rio é criança
Quando dança de pés descalços
Mas chora,
Órfão de pai.
Esse rio cheira a suor
A beijos misturados
Corpos incendiados
De alegria e desespero.
De ironia.
Os peixes desse rio não são peixes,
São polvos
Que nos agarram eternamente
E tingem os desejos de uma só cor.
O rio é longe,
E ficamos a vê-lo do pontão das objectivas.
Nunca é inteiro,
É afluente de si próprio.
O rio é cinza, poluído.
Verde, tijuca
Branco, vontade.
Amarelo, luz.
Azul, iemanjá.
Cor de pele, gente.
O rio é adúltero,
Corrompe-se,
Trai-se por gosto
E é eternamente pecado.
O rio é poesia,
E só o sei na canção.
O rio é sortudo,
Porque é maravilhoso por acaso.
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