E tu vês o que eu vejo da janela?
Vejo milhões de mundos e o meu como mais um, o teu como o outro, o deles como nada.
Nada vejo na descarga de emoções.
Não as que sinto em mim, que são por vezes mentira.
Nada assimilo, como se conhecer ocupasse o espaço que é teu.
Porque escrevo sobre quem não existe?
Tu podias ser o vendedor do quiosque que fala esquisito, se ele vivesse num corpo velho.
Ou então, a senhora simpática, que sabe o meu nome, mas eu não sei o dela, por isso não podias ser tu.
Serás o miúdo que anda na calçada sem pisar o preto e que salta de lista branca em lista branca na passadeira?
Aqui tu serias você e isso teria muita piada! Adoraria, por momentos, ter-te como desconhecido, que és sem querer.
Invento um novo tu todos os dias, o que me convém. É um egoísmo e uma vontade de ter sempre alguém a quem escrever. Penso sempre num tu e num eu, que nem na verdade nem na mentira existe.
O Sérgio diria que a "realidade é o funeral das ilusões". Eu penso o contrário e vivo feliz porque nestes 15 minutos de escrita descontrolada, a realidade é a mãe da ilusão, é a possibilidade infinda de cenários que eu crio, só porque me apetece.
Isso é bom.
Porque nunca te dei um nome? Seria fácil ter mais soluções para os sujeitos e complementos. Torno-me repetitiva por seres sempre "tu".
E tu, se é que existes, percebes as minhas metáforas? É, eu exagero, mas sabes que nunca gostei de chamar as coisas pelos nomes, por isso é que continuas a ser só tu.
Não espero que tu venhas realmente a existir, porque se um dia existisses eu deixava de escrever sobre ti, deixarias de ser o que eu quisesse.
Tornei esta idiossincrasia menos inconsciente, era inevitável.
As pessoas perguntam: "Quem é esta pessoa especial?"... Não que não sejas especial, que és e muito, mas não precisas de ser ninguém em especial.
E lá porque eu te invento constantemente nunca te quis à minha medida.
És os meus medos, os meus mundos e os dos outros, as minhas paixões vegetais e as de lume brando, os sonhos.
Penso sempre que da próxima vez que me dirigir a ti, vais deixar de existir nas palavras, vou contar a tua morte ao mundo e esperar as lágrimas e os aplausos do meu pequeno e também concebido público.
Mas sabes que nunca te mataria pelas costas, nem por vingança de me teres mantido tanto tempo presa a ti. Mataria-te de velhice, como se escorregasses pelas rugas do tempo que viveste preso à minha demanda e criatividade. Seria uma morte bonita, nunca a dormir, tu dormes pouco e eu nunca te vejo a acordar, por isso não conseguiria estar presente no momento do eterno sono.
Porque te mataria? Seria só por luxúria. Porque sim. E nunca vai ser um bom dia para morreres.
Criei-te tão eterno quanto eu.
Isso até tem um lado romântico, vamos morrer como nos filmes.
Vejo milhões de mundos e o meu como mais um, o teu como o outro, o deles como nada.
Nada vejo na descarga de emoções.
Não as que sinto em mim, que são por vezes mentira.
Nada assimilo, como se conhecer ocupasse o espaço que é teu.
Porque escrevo sobre quem não existe?
Tu podias ser o vendedor do quiosque que fala esquisito, se ele vivesse num corpo velho.
Ou então, a senhora simpática, que sabe o meu nome, mas eu não sei o dela, por isso não podias ser tu.
Serás o miúdo que anda na calçada sem pisar o preto e que salta de lista branca em lista branca na passadeira?
Aqui tu serias você e isso teria muita piada! Adoraria, por momentos, ter-te como desconhecido, que és sem querer.
Invento um novo tu todos os dias, o que me convém. É um egoísmo e uma vontade de ter sempre alguém a quem escrever. Penso sempre num tu e num eu, que nem na verdade nem na mentira existe.
O Sérgio diria que a "realidade é o funeral das ilusões". Eu penso o contrário e vivo feliz porque nestes 15 minutos de escrita descontrolada, a realidade é a mãe da ilusão, é a possibilidade infinda de cenários que eu crio, só porque me apetece.
Isso é bom.
Porque nunca te dei um nome? Seria fácil ter mais soluções para os sujeitos e complementos. Torno-me repetitiva por seres sempre "tu".
E tu, se é que existes, percebes as minhas metáforas? É, eu exagero, mas sabes que nunca gostei de chamar as coisas pelos nomes, por isso é que continuas a ser só tu.
Não espero que tu venhas realmente a existir, porque se um dia existisses eu deixava de escrever sobre ti, deixarias de ser o que eu quisesse.
Tornei esta idiossincrasia menos inconsciente, era inevitável.
As pessoas perguntam: "Quem é esta pessoa especial?"... Não que não sejas especial, que és e muito, mas não precisas de ser ninguém em especial.
E lá porque eu te invento constantemente nunca te quis à minha medida.
És os meus medos, os meus mundos e os dos outros, as minhas paixões vegetais e as de lume brando, os sonhos.
Penso sempre que da próxima vez que me dirigir a ti, vais deixar de existir nas palavras, vou contar a tua morte ao mundo e esperar as lágrimas e os aplausos do meu pequeno e também concebido público.
Mas sabes que nunca te mataria pelas costas, nem por vingança de me teres mantido tanto tempo presa a ti. Mataria-te de velhice, como se escorregasses pelas rugas do tempo que viveste preso à minha demanda e criatividade. Seria uma morte bonita, nunca a dormir, tu dormes pouco e eu nunca te vejo a acordar, por isso não conseguiria estar presente no momento do eterno sono.
Porque te mataria? Seria só por luxúria. Porque sim. E nunca vai ser um bom dia para morreres.
Criei-te tão eterno quanto eu.
Isso até tem um lado romântico, vamos morrer como nos filmes.
Excelente texto. Parabéns!
ReplyDeleteObrigada Jaime :)
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