07/06/2010

Os sonhos da morte encerram o sentido só de um homem sentado na beira do banco de onde se vê a praia. O pachorrento bater do pé no chão denúncia a espera por alguém que não mais irá voltar. Estou perto, espreito e tento por momentos pensar este homem. E ele vive nele, não sabe que outros podem viver na sombra dos seus pensamentos. Será homem grande? Saibamo-lo só, inquieto mas paciente, no conforto da pedra aquecida pelo tempo, entre a paisagem finita dos seus olhos e de um passado tão ardente no sangue mas com uma certa descrença no amanhã. Ele pousa uma mão sobre a outra, talvez sinta saudade de quem sentava do lado dele e esperava todos os momentos com a mesma tranquilidade, segurando na sua mão, em carinho e amizade. Ele já não terá mais medo de estar só nem será mais vulnerável aos outros, ao que passa e não volta, ao que passa, pára e fica, para sempre, naqueles minutos ou em todos os outros, muitas vezes. Aprender a solidão é uma arte digna de poucos. Por isso, olho-o com um certo pudor.

2 comments:

  1. tão bonito, Bá! =)
    o dom da palavra é teu, sem dúvida!
    o teu regresso está para breve, n é? =)

    beijinhos*

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  2. Obrigada :)

    Está sim! Chego dia 29!!

    beijinhos*

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