Amanhã seremos todos mais modernos do que somos hoje. E isso assusta-me porque estou quase desactualizada. Aliás, já é amanhã e por isso não quero dormir.
19/05/2010
E tu vês o que eu vejo da janela?
Vejo milhões de mundos e o meu como mais um, o teu como o outro, o deles como nada.
Nada vejo na descarga de emoções.
Não as que sinto em mim, que são por vezes mentira.
Nada assimilo, como se conhecer ocupasse o espaço que é teu.
Porque escrevo sobre quem não existe?
Tu podias ser o vendedor do quiosque que fala esquisito, se ele vivesse num corpo velho.
Ou então, a senhora simpática, que sabe o meu nome, mas eu não sei o dela, por isso não podias ser tu.
Serás o miúdo que anda na calçada sem pisar o preto e que salta de lista branca em lista branca na passadeira?
Aqui tu serias você e isso teria muita piada! Adoraria, por momentos, ter-te como desconhecido, que és sem querer.
Invento um novo tu todos os dias, o que me convém. É um egoísmo e uma vontade de ter sempre alguém a quem escrever. Penso sempre num tu e num eu, que nem na verdade nem na mentira existe.
O Sérgio diria que a "realidade é o funeral das ilusões". Eu penso o contrário e vivo feliz porque nestes 15 minutos de escrita descontrolada, a realidade é a mãe da ilusão, é a possibilidade infinda de cenários que eu crio, só porque me apetece.
Isso é bom.
Porque nunca te dei um nome? Seria fácil ter mais soluções para os sujeitos e complementos. Torno-me repetitiva por seres sempre "tu".
E tu, se é que existes, percebes as minhas metáforas? É, eu exagero, mas sabes que nunca gostei de chamar as coisas pelos nomes, por isso é que continuas a ser só tu.
Não espero que tu venhas realmente a existir, porque se um dia existisses eu deixava de escrever sobre ti, deixarias de ser o que eu quisesse.
Tornei esta idiossincrasia menos inconsciente, era inevitável.
As pessoas perguntam: "Quem é esta pessoa especial?"... Não que não sejas especial, que és e muito, mas não precisas de ser ninguém em especial.
E lá porque eu te invento constantemente nunca te quis à minha medida.
És os meus medos, os meus mundos e os dos outros, as minhas paixões vegetais e as de lume brando, os sonhos.
Penso sempre que da próxima vez que me dirigir a ti, vais deixar de existir nas palavras, vou contar a tua morte ao mundo e esperar as lágrimas e os aplausos do meu pequeno e também concebido público.
Mas sabes que nunca te mataria pelas costas, nem por vingança de me teres mantido tanto tempo presa a ti. Mataria-te de velhice, como se escorregasses pelas rugas do tempo que viveste preso à minha demanda e criatividade. Seria uma morte bonita, nunca a dormir, tu dormes pouco e eu nunca te vejo a acordar, por isso não conseguiria estar presente no momento do eterno sono.
Porque te mataria? Seria só por luxúria. Porque sim. E nunca vai ser um bom dia para morreres.
Criei-te tão eterno quanto eu.
Isso até tem um lado romântico, vamos morrer como nos filmes.
Vejo milhões de mundos e o meu como mais um, o teu como o outro, o deles como nada.
Nada vejo na descarga de emoções.
Não as que sinto em mim, que são por vezes mentira.
Nada assimilo, como se conhecer ocupasse o espaço que é teu.
Porque escrevo sobre quem não existe?
Tu podias ser o vendedor do quiosque que fala esquisito, se ele vivesse num corpo velho.
Ou então, a senhora simpática, que sabe o meu nome, mas eu não sei o dela, por isso não podias ser tu.
Serás o miúdo que anda na calçada sem pisar o preto e que salta de lista branca em lista branca na passadeira?
Aqui tu serias você e isso teria muita piada! Adoraria, por momentos, ter-te como desconhecido, que és sem querer.
Invento um novo tu todos os dias, o que me convém. É um egoísmo e uma vontade de ter sempre alguém a quem escrever. Penso sempre num tu e num eu, que nem na verdade nem na mentira existe.
O Sérgio diria que a "realidade é o funeral das ilusões". Eu penso o contrário e vivo feliz porque nestes 15 minutos de escrita descontrolada, a realidade é a mãe da ilusão, é a possibilidade infinda de cenários que eu crio, só porque me apetece.
Isso é bom.
Porque nunca te dei um nome? Seria fácil ter mais soluções para os sujeitos e complementos. Torno-me repetitiva por seres sempre "tu".
E tu, se é que existes, percebes as minhas metáforas? É, eu exagero, mas sabes que nunca gostei de chamar as coisas pelos nomes, por isso é que continuas a ser só tu.
Não espero que tu venhas realmente a existir, porque se um dia existisses eu deixava de escrever sobre ti, deixarias de ser o que eu quisesse.
Tornei esta idiossincrasia menos inconsciente, era inevitável.
As pessoas perguntam: "Quem é esta pessoa especial?"... Não que não sejas especial, que és e muito, mas não precisas de ser ninguém em especial.
E lá porque eu te invento constantemente nunca te quis à minha medida.
És os meus medos, os meus mundos e os dos outros, as minhas paixões vegetais e as de lume brando, os sonhos.
Penso sempre que da próxima vez que me dirigir a ti, vais deixar de existir nas palavras, vou contar a tua morte ao mundo e esperar as lágrimas e os aplausos do meu pequeno e também concebido público.
Mas sabes que nunca te mataria pelas costas, nem por vingança de me teres mantido tanto tempo presa a ti. Mataria-te de velhice, como se escorregasses pelas rugas do tempo que viveste preso à minha demanda e criatividade. Seria uma morte bonita, nunca a dormir, tu dormes pouco e eu nunca te vejo a acordar, por isso não conseguiria estar presente no momento do eterno sono.
Porque te mataria? Seria só por luxúria. Porque sim. E nunca vai ser um bom dia para morreres.
Criei-te tão eterno quanto eu.
Isso até tem um lado romântico, vamos morrer como nos filmes.
14/05/2010
10/05/2010

Aprendi a acordar num dia sempre diferente ao dia anterior. Aqui o mundo balança ente a bucólica sensação da verdadeira saudade, a espontaneidade tão fugaz e escorregadia como as músicas desta cidade e os calares constantes e emaranhados da minha poesia. Aproxima-se o fim de mais uma noite. E o amanhã avizinha-se cheio mas tão vazio de soluções. Não há silêncio aqui e eu vivo sem pertencer a nenhum lugar, sou das minhas pessoas e das quatro estações.
08/05/2010
24/04/2010

Sento-me sob o embalo da escolha.
Um beijo no dado atirado no vazio.
Daquele lado a apego.
Do outro o coração.
Circulam as noites em cima dos dias e os minutos são duros, mais que as horas.
Sou as esperas inúteis da notícia.
O pecado foi pecar logo e tanto. Isso sim.
E olho o muro cá de baixo.
Decido sentar-me e olhar a paisagem.
Escolhi vislumbrar, apenas.
Daquele lado o prado, a criança, a verdade.
Do outro a mensagem triste de que mais vale saltar. E logo.
Sou os olhos fechados de um passo.
Serei só atenta e sozinha de ti.
Lambo o dedo e num suspiro deixo-me cair para o lado que o vento me levar.
Um beijo no dado atirado no vazio.
Daquele lado a apego.
Do outro o coração.
Circulam as noites em cima dos dias e os minutos são duros, mais que as horas.
Sou as esperas inúteis da notícia.
O pecado foi pecar logo e tanto. Isso sim.
E olho o muro cá de baixo.
Decido sentar-me e olhar a paisagem.
Escolhi vislumbrar, apenas.
Daquele lado o prado, a criança, a verdade.
Do outro a mensagem triste de que mais vale saltar. E logo.
Sou os olhos fechados de um passo.
Serei só atenta e sozinha de ti.
Lambo o dedo e num suspiro deixo-me cair para o lado que o vento me levar.
04/04/2010
Sou a canção perdida num grito,
Que morde a tua língua numa inglória saudade.
E escuto-te atenta como se falasses essas palavras todas para mim.
Fugi demais e encontrei-me atrasada das horas mortas.
A minha miséria vem da pequenez dos meus gestos
E de um amor por descrever.
Por querer.
Por te querer.
E enquanto apanhas aquele comboio para algures,
Esquece que fiquei acenando,
Esquece da lágrima que chorei quando me brindaste com o teu desprezo.
Que morde a tua língua numa inglória saudade.
E escuto-te atenta como se falasses essas palavras todas para mim.
Fugi demais e encontrei-me atrasada das horas mortas.
A minha miséria vem da pequenez dos meus gestos
E de um amor por descrever.
Por querer.
Por te querer.
E enquanto apanhas aquele comboio para algures,
Esquece que fiquei acenando,
Esquece da lágrima que chorei quando me brindaste com o teu desprezo.
Até logo homem inquieto.
27/03/2010
É o mote da perdição
Que nos deixa e nos prende
Um coração sozinho
Um corpo vandalizado
Um ser abandonado
O sorriso na ambição
É o mote da criação
Que nos faz tão bem-aventurados
Um copo partido
Um cigarro fumado
Uma tela molhada
O sorriso na vontade.
É o mote do medo
Que nos quer tão longe e tão perto
Uma cidade vizinha
Um beijo não dado
Uma corda no pescoço
O sorriso na calada.
É o mote da saudade
Que não quer que a matem
Uma contagem decrescente
Um abraço que não se deu
Um país enterrado
O sorriso na ansiedade.
É o mote da ilusão
Que nos deixou além de nós
Uma história contada
Um olhar de criança
Um copo vazio
O sorriso na verdade.
Que nos deixa e nos prende
Um coração sozinho
Um corpo vandalizado
Um ser abandonado
O sorriso na ambição
É o mote da criação
Que nos faz tão bem-aventurados
Um copo partido
Um cigarro fumado
Uma tela molhada
O sorriso na vontade.
É o mote do medo
Que nos quer tão longe e tão perto
Uma cidade vizinha
Um beijo não dado
Uma corda no pescoço
O sorriso na calada.
É o mote da saudade
Que não quer que a matem
Uma contagem decrescente
Um abraço que não se deu
Um país enterrado
O sorriso na ansiedade.
É o mote da ilusão
Que nos deixou além de nós
Uma história contada
Um olhar de criança
Um copo vazio
O sorriso na verdade.
15/02/2010
Continuo assim, calada, porque o nosso silêncio também é bom.
Amanhã o olhar dirá tudo que alguma vez ficou por dizer.
Porque o mundo está muito além dos passos que damos em voos rasteiros.
E eu já não pertenço à verdade, sou das ideias.
Quando quiser ficar, terei de ir e isso chega.
Não haverão horas certas nem será conveniente amar.
As palavras não chegarão para dizermos adeus, imagina os gestos.
Por isso, fico assim calada, à espreita de um ruído do qual escolho fugir.
E tu sabes como eu nunca pertenci aqui.
Amanhã o olhar dirá tudo que alguma vez ficou por dizer.
Porque o mundo está muito além dos passos que damos em voos rasteiros.
E eu já não pertenço à verdade, sou das ideias.
Quando quiser ficar, terei de ir e isso chega.
Não haverão horas certas nem será conveniente amar.
As palavras não chegarão para dizermos adeus, imagina os gestos.
Por isso, fico assim calada, à espreita de um ruído do qual escolho fugir.
E tu sabes como eu nunca pertenci aqui.
01/02/2010
Há dias destes, em que acordo na possibilidade e adormeço na certeza.
E é bom sentir que Deus ou a sorte ou até o mérito, me sorriu, com um sorriso daqueles beeeem grandes.
Saber que, apesar de tudo, isto estava reservado para mim e que, vá lá. eu até merecia.
E salto, choro, grito, tudo!
Pois é, há dias incríveis.
Eu só tive um dia assim até hoje.
Um dia que se vai transformar em 5 meses.
ATÉ LOGO PORTUGAL, VOU VIVER À GRANDE E À BRASILEIRA!
E é bom sentir que Deus ou a sorte ou até o mérito, me sorriu, com um sorriso daqueles beeeem grandes.
Saber que, apesar de tudo, isto estava reservado para mim e que, vá lá. eu até merecia.
E salto, choro, grito, tudo!
Pois é, há dias incríveis.
Eu só tive um dia assim até hoje.
Um dia que se vai transformar em 5 meses.
ATÉ LOGO PORTUGAL, VOU VIVER À GRANDE E À BRASILEIRA!
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