28/04/2009


Desenho personagens nas nuvens

O vento que fez da nuvem uma árvore
Agora é pássaro e voou
Fugiu da minha imaginação.

Passarinho volta p'rá minha vida
Volta a pousar na minha mão
Volta a cantar-me o mundo ao ouvido
O mundo que viste na solidão.

06/04/2009

a perda só é definitiva quando há esquecimento.
quando te lembrares...


Muitas vezes pensamos em qual seria o pior sentimento que poderemos ter por alguém ou que alguém teve por nós. Há quem acredite que não existem bons ou maus sentimentos, simplesmente sentimos quer queiramos quer não, mesmo que achemos que somos muito racionais (já que somos o único animal que pensa, ou na minha opinião, que pensa que pensa) e que raramente tomamos decisões pelo chamado "lado emocional".

Engraçado que o sentimento que "escolhi" ou, num caso muito particular, que me magoou demasiado profundamente (daí a sua eleição), é fruto da razão, do pensamento, se não fossemos animais racionais, não teríamos essa particularidade, que ainda não sei se se deva chamar sentimento. Penso que o chamo sentimento pelos efeitos que produz. Talvez seja mais um automatismo da nossa mente, accionada sem a percepção de quem accionou. É um acto inconsciente.

Em conversa com as minhas amigas surgiram várias propostas.. Umas diziam que a pena é o pior sentimento do mundo, mas penso que a pena, apesar de ser "penoso" para quem é o objecto "penado", poderá despoletar bons actos, como a solidariedade ou a compaixão. A indiferença, também foi uma sugestão. Já outras diziam o desrespeito, neste ponto concordo parcialmente.. mas será o pior?
Infelizmente, certos acontecimentos recentes na minha vida mostraram-me uma nova perspectiva acerca do mal que se faz ao outro, dos sentimentos que geramos dentro de nós, dos sentimentos que os outros têm por nós.

Esquecer é o meu eleito. Não nos tornamos pequenos e tristes quando alguém se esquece de nós? Não somos invadidos por um sentimento de culpa quando nos esquecemos de alguém? Pois... mas o esquecimento pode surgir de várias formas. Por exemplo, quando esquecemos as chaves de casa, quando esquecemos de pôr sal no arroz, quando esquecemos de desligar o ferro de engomar ou quando esquecemos do bolo no forno e quando nos lembramos é tarde de mais, quando esquecemos que temos um trabalho para entregar no dia seguinte, quando esquecemos de levar guarda chuva e está um temporal enorme, quando esquecemos dos lenços e estamos com uma constipação infernal, quando nos esquecemos de tomar um comprimido que deve ser tomado religiosamente todos os dias, quando nos esquecemos de fechar o carro ou de puxar o travão de mão, quando nos esquecemos que os convidados não gostam de arroz de pato e eles acabaram de tocar à campainha...sei lá, podia ficar aqui a noite toda! Todas estas pequenas (grandes!) coisas que nos esquecemos provocam-nos um grande tumulto interno e perguntamo-nos "Que estúpida! como é que me esqueci??" ou "Como é que eu não me lembrei disso?"

Mas a vida também é feita de coisas mais profundas, de esquecimentos mais dolorosos tanto para quem esquece como para quem é esquecimo.. ora vejam:
E quando nos esquecemos do aniversário daquela amiga, que apesar de não estarmos juntas à algum tempo, está sempre presente e disponível ajudar nos piores momentos?
E quando nos esquecemos que alguém perdeu recentemente uma pessoa querida e lhe perguntamos com um enorme sorriso como está essa pessoa?
E quando nos partilhamos uma vida com uma pessoa, e num dia, ela se esquece de nós, e movido apenas por instintos (daí eu ter dito que o ser humano muitas vezes apenas pensa que pensa) quebra uma promessa?

Pois é!
Na minha opinião o grande problema do esquecimento é a quantidade de sensações que gera. Gera dor, culpa, mágoa, indiferença, desrespeito, solidão, revolta, angústia, etc.
Quem nunca se esqueceu que atire a primeira pedra, mas como disse há quem se esqueça das chaves, e há quem se esqueça da pessoa a quem disse pela primeira vez 'amo-te'.

Com isto, termino com duas das minhas grandes paixões - a música brasileira e a literatura.

Lembrar é fácil pra quem tem memória, esquecer é dificil pra quem tem coração!
William Shakespeare




10/03/2009



Ontem, no breu da noite e no silêncio inventado da praia... olhei para o céu. E nas estrelas, desenhando constelações, senti o calor da única coisa física que agora temos em comum...o mesmo céu.

Agosto de 2007

22/06/2008

coitados daqueles que não sentem o que gostavam de sentir.
coitados daqueles que sentem aquilo que não gostavam de sentir.
coitados daqueles que não sentem nada.
coitados daqueles que sentem tudo.
coitados daqueles que precisam fingir que sentem e daqueles que fingem que não sentem.
e sortudos daqueles sentem apenas pelo prazer de sentir.

19/06/2008


Existe um jardim na minha cidade muito bonito, lá só entra quem quer, e quem não entrou não sabe o que perde. No meio desse jardim, que eu gosto de dizer que é das melhores coisas que temos, há uma casinha de chá, escondida, pequena e convidativa. Esse lugar leva-me, por vezes, a reflexões interessantes.
Como é que há, um cantinho escondido, no meio da cidade barulhenta, cinzenta e mal cheirosa, onde é possível ouvir os passarinhos, fechar os olhos, respirar fundo e inspirar ar puro.
Lá sento-me numa cadeira de verga e olho as pessoas passar, poucas é certo, mas as suficientes. Sentir que por momentos mudei de cidade, mudei de país, mudei de problemas, mudei de rotina... e depois expirar.
Relaxo.
Porque sim, é possível!

17/06/2008



é bonito não é?

15/06/2008


pode ser que um dia viva livre no meu amor

amo-te

Construo o meu ser na mistura da cor e da forma, no vazio da tela.
Faço a minha arte porque ela me resgata e me permite a expressão.
Busco o absoluto e encontro o nada, a dúvida.
Mas aí está a beleza da vida.
A eterna busca pela expressão dos sentimentos, dos momentos...
A eterna luta com o abstracto e, em simultâneo, a consciência do mesmo!

28/12/2006

Eu gostava de me sentar naquele banquinho ao fundo do jardim e pegar na tua mão, e contar-te a minha vida. Contar-te como cresci, como sou agora e como gostaria de ser. E por um momento não dissesses nada, nem uma palavra. Só que sorrisses quando eu o fizesse e me abraçasses quando eu chorasse. Depois que me deitasses na relva daquele jardim já desparecendo no lusco-fusco e me desses a mão, e ali deitados que me ensinasses o melhor que alguma vez aprendeste. E com um abraço profundo eu adormessesse em ti e tu em mim. E no nascer do dia me sufocasses na tua respiração e nos teus braços. E sem um adeus, fosses embora, anónimo, da mesma maneira que chegaste.