o meu amor perdeu a vida.
foi a vida que perdeu o meu amor.
25/10/2009
22/10/2009

Lá e sempre,
O rio vai dar ao mar
E todo ele é maré, gente e canção.
O rio é de Janeiro, do ano inteiro
Dos dias e das demais medidas do tempo
Só não cabe nas palavras.
Saravá ao povo que se deixa posar, sem querer
Às grandes criações do poeta.
Saravá ao poeta.
O rio é mulher formosa
E a mão que enxuga a lágrima no rosto,
Mas é o sorriso que sai pelas ruas.
O rio só é homem quando se observa orgulhoso.
O rio é sempre foz,
Prestes a desaguar
A explodir, quem sabe.
E deixo os olhos pousar
E o corpo mergulhar nesse rio
Como se fosse para sempre o último abraçar.
O rio bebe-se aos poucos,
Gota a gota, pinga a pinga,
Mas bate rápido
É 100% alcoólico.
O rio é criança
Quando dança de pés descalços
Mas chora,
Órfão de pai.
Esse rio cheira a suor
A beijos misturados
Corpos incendiados
De alegria e desespero.
De ironia.
Os peixes desse rio não são peixes,
São polvos
Que nos agarram eternamente
E tingem os desejos de uma só cor.
O rio é longe,
E ficamos a vê-lo do pontão das objectivas.
Nunca é inteiro,
É afluente de si próprio.
O rio é cinza, poluído.
Verde, tijuca
Branco, vontade.
Amarelo, luz.
Azul, iemanjá.
Cor de pele, gente.
O rio é adúltero,
Corrompe-se,
Trai-se por gosto
E é eternamente pecado.
O rio é poesia,
E só o sei na canção.
O rio é sortudo,
Porque é maravilhoso por acaso.
O rio vai dar ao mar
E todo ele é maré, gente e canção.
O rio é de Janeiro, do ano inteiro
Dos dias e das demais medidas do tempo
Só não cabe nas palavras.
Saravá ao povo que se deixa posar, sem querer
Às grandes criações do poeta.
Saravá ao poeta.
O rio é mulher formosa
E a mão que enxuga a lágrima no rosto,
Mas é o sorriso que sai pelas ruas.
O rio só é homem quando se observa orgulhoso.
O rio é sempre foz,
Prestes a desaguar
A explodir, quem sabe.
E deixo os olhos pousar
E o corpo mergulhar nesse rio
Como se fosse para sempre o último abraçar.
O rio bebe-se aos poucos,
Gota a gota, pinga a pinga,
Mas bate rápido
É 100% alcoólico.
O rio é criança
Quando dança de pés descalços
Mas chora,
Órfão de pai.
Esse rio cheira a suor
A beijos misturados
Corpos incendiados
De alegria e desespero.
De ironia.
Os peixes desse rio não são peixes,
São polvos
Que nos agarram eternamente
E tingem os desejos de uma só cor.
O rio é longe,
E ficamos a vê-lo do pontão das objectivas.
Nunca é inteiro,
É afluente de si próprio.
O rio é cinza, poluído.
Verde, tijuca
Branco, vontade.
Amarelo, luz.
Azul, iemanjá.
Cor de pele, gente.
O rio é adúltero,
Corrompe-se,
Trai-se por gosto
E é eternamente pecado.
O rio é poesia,
E só o sei na canção.
O rio é sortudo,
Porque é maravilhoso por acaso.
21/10/2009

saudade dos dias que passamos no aconchego dos sentidos
pelos tempos em que me vinhas procurando sem cansar
e sorrias na escuridão dos meus desejos
sim, olha como quero ainda mais ver-me perdida
e serei sempre demais para ti
nem nunca será tão tarde
no corpo que é em tantas
mas da alma que vive numa infinita solidão
o calar em que me insisto
esperam os beijos roubados sedentos de ti
e quando me vejo, estou só entre ti e a vontade
entregue ao arrebatamento da acção
pelos tempos em que me vinhas procurando sem cansar
e sorrias na escuridão dos meus desejos
sim, olha como quero ainda mais ver-me perdida
e serei sempre demais para ti
nem nunca será tão tarde
no corpo que é em tantas
mas da alma que vive numa infinita solidão
o calar em que me insisto
esperam os beijos roubados sedentos de ti
e quando me vejo, estou só entre ti e a vontade
entregue ao arrebatamento da acção
19/10/2009
Acho que é tudo, "e tanto", e tão eu, por agora:
"Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora."
"Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora."
Vinicius de Moraes
09/10/2009

Poso para ti em pensamento
Quero-me nas palavras
Nos teus braços já não peço
Mas na música que é muda para mim
E que continua a gritar baixinho ao ouvido
Em ti
Tua criação
Canção
Estou nua, numa
Quem vê?
Nada, ninguém
A solidão fez-me só
Aquele empurrão
Não não sou feliz
Mas "mais vale viver", talvez
Fecha os olhos
E vê
Como sou aquilo que fizeres ser
E alma disposta num jeito de te querer
Quero-me nas palavras
Nos teus braços já não peço
Mas na música que é muda para mim
E que continua a gritar baixinho ao ouvido
Em ti
Tua criação
Canção
Estou nua, numa
Quem vê?
Nada, ninguém
A solidão fez-me só
Aquele empurrão
Não não sou feliz
Mas "mais vale viver", talvez
Fecha os olhos
E vê
Como sou aquilo que fizeres ser
E alma disposta num jeito de te querer
17/09/2009

Furam-nos os tímpanos
Desenvolvimento, progresso, evolução?
Não!
Chega de positivismos!
Querem-nos médicos dos males do mundo.
Não!
Não há cura para a solidão.
Não, há caminho, há construção!
Subjectivem a análise, os conceitos, TUDO!
Chega!
Para que sirvo?
Alguma vez fomos por outro caminho se não em frente?
Não!
Revolução! (Industrial? Agrícola?)
Que se lixem as revoltas!
Cravos?
Não matem as florzinhas!
Sintam mais! Sintam tudo!
Percam-se nos jardins, nas ruas.
Beijem a quem queiram beijar.
MAIS!
Deixem-se entregar.
Vivam.
Isto é tudo unidireccional.
Deixemo-nos de maledicências.
Morte ao senso comum!
Camarada?
Não!
Amigo?
Talvez!
Não se agrupem por ideais!
Agrupem-se por sentimentos!
Desenvolvimento, progresso, evolução?
Não!
Chega de positivismos!
Querem-nos médicos dos males do mundo.
Não!
Não há cura para a solidão.
Não, há caminho, há construção!
Subjectivem a análise, os conceitos, TUDO!
Chega!
Para que sirvo?
Alguma vez fomos por outro caminho se não em frente?
Não!
Revolução! (Industrial? Agrícola?)
Que se lixem as revoltas!
Cravos?
Não matem as florzinhas!
Sintam mais! Sintam tudo!
Percam-se nos jardins, nas ruas.
Beijem a quem queiram beijar.
MAIS!
Deixem-se entregar.
Vivam.
Isto é tudo unidireccional.
Deixemo-nos de maledicências.
Morte ao senso comum!
Camarada?
Não!
Amigo?
Talvez!
Não se agrupem por ideais!
Agrupem-se por sentimentos!
24/08/2009
18/06/2009

Começo hoje a história de um sonho.
Não é cor-de-rosa, mas sim, azul, verde e amarelo.
É a história de uma viagem pelo oceano, por cima das nuvens até chagar ao Tom Jobim.
É sonho sim, de mil sabores, e de mil sons que balançam já no ouvido virgem dos ritmos por ouvir.
É o sonho da água de beber misturada em limas e açúcar.
É o sonho da vista panorâmica sobre a cidade maravilhosa e do banho de mar em Ipanema.
Ai quanto tempo sonhei e ainda sonho com este sonho...
É o sonho do churrasco, do pagode, ao forró, passando pelo sertanejo, pelo samba...
Ai samba que te quero lento e bem cantado tocado à pele morena, queimada pelo sol.
Sonho sonhado em outras praias, em outros voos, em outras andanças. Sonho dos pés mexidos no ritmo, dos lapsos de língua.
Outrora sonho de outros Verões.
Agora é sonho do meu.
Não é cor-de-rosa, mas sim, azul, verde e amarelo.
É a história de uma viagem pelo oceano, por cima das nuvens até chagar ao Tom Jobim.
É sonho sim, de mil sabores, e de mil sons que balançam já no ouvido virgem dos ritmos por ouvir.
É o sonho da água de beber misturada em limas e açúcar.
É o sonho da vista panorâmica sobre a cidade maravilhosa e do banho de mar em Ipanema.
Ai quanto tempo sonhei e ainda sonho com este sonho...
É o sonho do churrasco, do pagode, ao forró, passando pelo sertanejo, pelo samba...
Ai samba que te quero lento e bem cantado tocado à pele morena, queimada pelo sol.
Sonho sonhado em outras praias, em outros voos, em outras andanças. Sonho dos pés mexidos no ritmo, dos lapsos de língua.
Outrora sonho de outros Verões.
Agora é sonho do meu.
17/06/2009
quero um dia ser mãe
gerar do corpo, da alma
quero um dia ser mãe de alguém
entregar amor, sem perguntar
quero um dia ser mãe, sim quero muito
ter a vida guardada entre os braços e o peito
quero um dia ser mãe como tu
ser bárbara, mãe e filha
quero reproduzir-te mãe
gostava de ser uma mãe como tu
vejo a tua dor nos olhos cansados do medo
não tenhas medo mãe, eu estou aqui
nunca te deixarei sozinha
queria-te imortal
amo-te
gerar do corpo, da alma
quero um dia ser mãe de alguém
entregar amor, sem perguntar
quero um dia ser mãe, sim quero muito
ter a vida guardada entre os braços e o peito
quero um dia ser mãe como tu
ser bárbara, mãe e filha
quero reproduzir-te mãe
gostava de ser uma mãe como tu
vejo a tua dor nos olhos cansados do medo
não tenhas medo mãe, eu estou aqui
nunca te deixarei sozinha
queria-te imortal
amo-te
14/06/2009
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