10/05/2010


Aprendi a acordar num dia sempre diferente ao dia anterior. Aqui o mundo balança ente a bucólica sensação da verdadeira saudade, a espontaneidade tão fugaz e escorregadia como as músicas desta cidade e os calares constantes e emaranhados da minha poesia. Aproxima-se o fim de mais uma noite. E o amanhã avizinha-se cheio mas tão vazio de soluções. Não há silêncio aqui e eu vivo sem pertencer a nenhum lugar, sou das minhas pessoas e das quatro estações.

08/05/2010

Padeço minguante.

24/04/2010


Sento-me sob o embalo da escolha.
Um beijo no dado atirado no vazio.
Daquele lado a apego.
Do outro o coração.
Circulam as noites em cima dos dias e os minutos são duros, mais que as horas.
Sou as esperas inúteis da notícia.
O pecado foi pecar logo e tanto. Isso sim.

E olho o muro cá de baixo.
Decido sentar-me e olhar a paisagem.
Escolhi vislumbrar, apenas.
Daquele lado o prado, a criança, a verdade.
Do outro a mensagem triste de que mais vale saltar. E logo.
Sou os olhos fechados de um passo.

Serei só atenta e sozinha de ti.
Lambo o dedo e num suspiro deixo-me cair para o lado que o vento me levar.



04/04/2010

Sou a canção perdida num grito,
Que morde a tua língua numa inglória saudade.
E escuto-te atenta como se falasses essas palavras todas para mim.
Fugi demais e encontrei-me atrasada das horas mortas.
A minha miséria vem da pequenez dos meus gestos
E de um amor por descrever.
Por querer.
Por te querer.
E enquanto apanhas aquele comboio para algures,
Esquece que fiquei acenando,
Esquece da lágrima que chorei quando me brindaste com o teu desprezo.
Até logo homem inquieto.

27/03/2010

É o mote da perdição
Que nos deixa e nos prende
Um coração sozinho
Um corpo vandalizado
Um ser abandonado
O sorriso na ambição

É o mote da criação
Que nos faz tão bem-aventurados
Um copo partido
Um cigarro fumado
Uma tela molhada
O sorriso na vontade.

É o mote do medo
Que nos quer tão longe e tão perto
Uma cidade vizinha
Um beijo não dado
Uma corda no pescoço
O sorriso na calada.

É o mote da saudade
Que não quer que a matem
Uma contagem decrescente
Um abraço que não se deu
Um país enterrado
O sorriso na ansiedade.

É o mote da ilusão
Que nos deixou além de nós
Uma história contada
Um olhar de criança
Um copo vazio
O sorriso na verdade.




15/02/2010


Continuo assim, calada, porque o nosso silêncio também é bom.
Amanhã o olhar dirá tudo que alguma vez ficou por dizer.
Porque o mundo está muito além dos passos que damos em voos rasteiros.
E eu já não pertenço à verdade, sou das ideias.
Quando quiser ficar, terei de ir e isso chega.
Não haverão horas certas nem será conveniente amar.
As palavras não chegarão para dizermos adeus, imagina os gestos.
Por isso, fico assim calada, à espreita de um ruído do qual escolho fugir.
E tu sabes como eu nunca pertenci aqui.

01/02/2010

Há dias destes, em que acordo na possibilidade e adormeço na certeza.
E é bom sentir que Deus ou a sorte ou até o mérito, me sorriu, com um sorriso daqueles beeeem grandes.
Saber que, apesar de tudo, isto estava reservado para mim e que, vá lá. eu até merecia.
E salto, choro, grito, tudo!
Pois é, há dias incríveis.
Eu só tive um dia assim até hoje.
Um dia que se vai transformar em 5 meses.

ATÉ LOGO PORTUGAL, VOU VIVER À GRANDE E À BRASILEIRA!



20/01/2010


Tudo o que marca demora.
Demora até sermos velhos nos braços um do outro.
Os lençóis atirados aos pés da cama e uma manhã por vir.
Tomara.

Tudo o que demora marca.
Não vai embora com o fim da tarde das primaveras.
Fica a ferver-se no salgado do que nasceu para além do vidro baço.

Tudo o que sinto marca e demora.
E as mãos já só pousam uma na outra à procura da ternura e de um pouco de juventude.
Pelo menos.

E usamo-nos do tempo como se não fosse mais parar.
Estivemos além da espera.
Além da verdade.
Porque tu nunca mereceste amar.
As estrelas.

Perdeste os sentidos das imensas cantigas pelo eco das cordilheiras que víamos da janela.
Passavas a mão pelas bochechas perdidas no sorriso que sorria para ti.
E tudo era "pronto...que seja".

Doiê, doiá, tzeió, doiá, derodoiê, doiá.

Ou o corpo ou a alma.
A alma está ausente.
Toma lá o corpo.

04/01/2010

quebra a infinita gentileza das rosas e atira-mas contra o rosto

despreza a essência dos corpos que outrora se acalentaram na energia

acaba com a dúvida do que não aprendeste a saber

a pureza das horas pálidas acabou

a honra vive trilhada em paixão

as mãos com que acenas não são as minhas

a voz numa chanson d'amour calou

que delícia é comer a saudade aos poucos

mas toda de uma vez

à flor dos dedos entrego-te aos dias




infinitamente incoerente



02/01/2010

Invadiu-me o sono,
E demorou-se até fazer-se em luz na escuridão.
Foi um abraço, apenas,
Que da água me salvei para viver.

Foste abraço, tanto.
E eu o beijo no teu ombro quente.

O berro do lado de fora.
A dor aguda do lado de dentro.
O sonho do lado do sono.
E tu do lado do medo.

E nos lábios salgados,
Guardei-te um segredo.

Pede-me de volta ao tempo,
Que as palavras são doces.

E aí, fez-se Verão, finalmente.